E nada nos pertence além dos braços
sobre o mundo.
Venham senhores, a manhã recomeça,
o sol aponta a porta das fábricas
e o tremer dos passos renasce.
O rugir das horas não me pertence,
vossos corações tampouco.
E, por favor, não bradem contra meu silêncio,
cansei de ouvir a minha própria história.
E de tudo que foi dito e reescrito
Resta-me uma constelação de mensagens
ao futuro, o amor às feridas.
Se um par de braços movem pelas ruas
carruagens de papel e esperança,
porque, então, um só coração
habitando um único homem?
Nada nos pertence que não seja rua,
átrio, pátio e solos descampados.
Dois braços e a vontade do mundo
e de repente tudo volta a ser nosso,
como nunca fora antes, paradoxo, ocluso.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
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